Regras

Fala-se muito em incutir regras…

As regras são essenciais… mas se ao invés de as impormos, se as decidirmos em conjunto com as crianças… ??

Ex.: Estão muitas crianças a brincar na área da casinha. Gera-se uma certa confusão. è altura certa pro educador negociar com as crianças e fazê-las pensar e agir… pode questioná-las”não acham que está muita gente na casinha? acham que conseguem brincar com esta bagunça? quantos meninos acham que podem estar aqui ao mesmo tempo”… assim as regras farão sentido para as crianças!!

Não acham?? icon_biggrin.gif

deixo um texto interessante:

“Descrevemos os limites como uma regra que indica o que é que não é permitido em determinada situação ou pelo contrário o que determina um determinado comportamento.”
Existem três motivos fundamentais para o estabelecimento de limites: evitar danos materiais, físicos e psíquicos; garantir o direito de cada um à actividade e prevenir o caos.
Segundo Leavers , são sete as “regras de ouro” para os limites:
1. Explorar os nossos sentimentos e descobrir os nossos limites – olhar para uma situação problema e descobrir até que ponto ela nos afecta;
2. Examinar o efeito dos limites nas crianças – devemos tê-las em conta e não nos basear só na nossa sensibilidade (reflectir: até que ponto este limite anula a iniciativa das crianças? O limite tem um efeito favorável na implicação?)
3. Observar antes de estabelecer os limites;
4. Procurar o limite que tem menos efeitos secundários – existem muitos limites para prevenir comportamentos indesejados, devendo as soluções mais radicais ser evitadas;
5. Procurar justificar os limites estabelecidos – as crianças aceitam mais facilmente os limites se tiverem sentido para elas;
6. Estabelecer os limites com base em acordos e não tanto em ordens – ex: “nós tínhamos combinado…” ao invés de “é assim que eu quero…”;
7. Concretizar os limites – é preciso ter paciência, repetir, manifestar compreensão, uma vez que as crianças não aprendem os símbolos de um dia para o outro. Uma estratégia que pode ser utilizada é a afixação de sinais e símbolos.



A timidez…

 

Pretendemos formar crianças autónomas, independentes, com iniciativa, espírito crítico, que se relacionem bem com elas mesmas e com os outros… a sociedade exige-nos isso. Há uma criança tímida na sala e agora? É normal?

A timidez não é negativa. Tecnicamente, timidez é ansiedade em situações sociais, é normal e na dose certa até é saudável.

Não é difícil perceber se uma criança é tímida. Basta estar atenta aos sinais:

® corporais…

- rubor facial;

- tensão muscular;

- tremores;

- palpitações;

- dores de barriga;

- etc..

® no comportamento…

- dificuldade em fazer amigos;

- resistência a brincadeiras de grupo;

- fuga a jogos de equipa;

- vergonha por falar em voz alta;

- procura de refugio junto dos pais, no seu quarto;

- dificuldade em reagir a situações novas ou inesperadas

- etc..

Quais são as principais causas da timidez?

® Medo de situações novas: Algumas crianças temem as situações novas, pelo que têm tendência para se isolarem ou para se evadirem;

® Hereditária: Seja a nível genético (ainda por demonstrar) ou por aprendizagem do comportamento dos pais (por sua vez tímidos), a criança pode encontrar no seu lar uma das causas da timidez;

® Carácter tímido: Existem crianças tímidas desde que nascem, sem existirem no entanto factores sociais ou ambientais que as exponham à timidez;

® Sobreprotecção: Os pais sobreprotectores incutem inconscientemente medos e insegurança nas suas crianças para conseguir uma maior dependência deles, e poderem assim controlá-las melhor;

® Auto-estima e insegurança: Um baixo nível de auto-estima é uma das principais causas da timidez. A insegurança pode ser provocada por diferentes motivos, desde uma educação instável até medos não superados, etc..

Que podemos fazer para dar a volta à vergonha?

® Ensinar-lhe hábitos sociais, preparando a criança para aquilo que a espera. É positivo ensinar a criança a comportar-se em situações sociais e a manter amizades. Por exemplo, saber dizer “por favor” e “obrigado”, apresentar-se às outras crianças, partilhar brinquedos, iniciar uma conversação, etc.;

® Dar-lhe tempo para que assimile as novas situações, o que se passa à sua volta;

® Não insistir ou recriminar (ex.: tens vergonha de tudo!);

® Ser paciente enquanto a criança observa, assimila e se adapta às mudanças;

® Melhorar a auto-estima e auto-confiança da criança: ela deve sentir-se apoiada, tranquilizada face a situações que lhe provoquem tensão;

® Encorajando a criança – valorizando os seus progressos;

® Ajudando a criança a expressar sentimentos e emoções, tendo sempre consciência que pode confiar nos pais para desabafar os seus problemas, dúvidas, receios.

“A timidez, na dose certa, nunca impediu ninguém de concretizar os seus sonhos (…). Há muitas pessoas, consideradas bastante tímidas e introvertidas, que conseguem exprimir-se maravilhosamente pela pintura, pela escrita, pela representação. Encontram na arte a sua libertação. Bastou que lhes dessem uma oportunidade e um voto de confiança.”[1]


Fontes de informação:

Ø AZEVEDO, C. (2006). Tenho vergonha. Pais & Filhos, nº180, Janeiro de 2006, 44-47.

Ø ANZANO, C. (S.D.). A timidez nas crianças. Acedido a 08-01-06, em http://www.imaginarium.pt/vIE/Editorialreportaje.asp?aspIdReportaje=113



[1] AZEVEDO, C. (2006). Tenho vergonha. Pais & Filhos, nº180, Janeiro de 2006, p.47.



Agressividade

Quem ainda não se deparou com este problema?

 

A disciplina é considerada a segunda dádiva que os pais devem dar os filhos (sendo a primeira o amor). Alguns pais ficam um pouco reticentes quanto à disciplina, pois, quando ambos trabalham fora todo o dia, detestam ser coercivos durante o tempo que passam com a criança. Para além disso, alguns lembram-se de terem sido disciplinados muito rigorosamente e não querem essa experiência para os seus filhos.

É importante que se perceba que disciplinar não é castigar, mas sim ensinar. Isto não quer dizer que não se utilize o castigo. Este pode ser necessário à disciplina. O castigo deve:

® Seguir-se imediatamente ao mau comportamento;

® Ser explicado o seu porquê à criança;

® Ser breve;

® Respeitar os sentimentos da criança;

® Ter no seu término uma palavra/gesto de amor (ex.: ”gosto muito de ti, mas não posso deixar-te fazer isso”[1]).

Para Brazelton “a disciplina consistente, guardada para questões importantes, não representa uma ameaça à personalidade da criança. Pelo contrário, faz parte da sua tarefa de aprender acerca de si própria.”[2]

Quando a criança faz algo mal deve ter a oportunidade de reparar o que fez. Se a criança bate a alguém, deve ter a possibilidade de poder confortar essa pessoa, pedir desculpas e prever formas de se controlar futuramente.

Cada criança é um ser único, com características próprias, por isso, não existem formas de disciplina que resultem para todas. Para além das características da criança, é também importante ter em conta a situação em que o comportamento ocorre. Eis a seguir formas de agir, por vezes úteis e algumas que são sempre inúteis, perante a indisciplina[3]:

Algumas vezes útil

Inútil

® Retirar os brinquedos – entre as boas razões para retirar os brinquedos estão: uso inadequado; risco de quebra; risco de magoar alguém com eles; recusa em partilhá-los e em arrumá-los depois da brincadeira.

® Cancelar convites para brincar ou adiar actividades agradáveis – esta atitude confronta a criança com as consequências do seu comportamento.

® Proibir televisão ou jogos de computador – se estas forem a origem do problema (ex.: a criança recusa desligar a TV).

® Ignorar o mau comportamento – se for uma maldade sem importância deve ser relevada. Se a criança estiver constantemente a ser repreendida deixa de escutar quem a repreende.

® “Sair de cena” – se a criança estiver zangada e culpar os pais por isso.

® Tarefas adicionais – pode funcionar com crianças mais velhas quando, por exemplo, estragam alguma coisa e essas tarefas serão como que o pagamento de uma dívida.

® Castigos corporais – a violência não é uma maneira de resolver os problemas, muito menos de ajudar a criança a controlar-se.

® Vergonha/humilhação – quanto a criança é envergonhada ou humilhada tende a sentir raiva.

® Comparar as crianças umas com as outras – prejudica a auto-estima e magoa a criança.

® Suprimi comida ou usá-la como recompensa.

® Deitar mais cedo.

® Retirar o afecto, ameaçar com o abandono – podem conduzir à insegurança, ao medo e à baixa auto-estima.

Fontes de informação:

 


[1] BRAZELTON, T. (2003). O grande livro da criança: desenvolvimento emocional e do comportamento durante os primeiros anos. (Tradução M. Peixoto - 6ª edição). Lisboa: Editorial Presença, p.292.

[2] Idem, p.293.

[3]Segundo Brazelton in BRAZELTON, T., & SPARROW, J. (2005). O método de Brazelton: a criança e a disciplina (Tradução de M. Morgado - 7ª edição). Lisboa: Editorial Presença.

 



Deixar a chupeta

 

Não me tirem a

 

 

A chupeta, seus benefícios e/ou seus malefícios, como a retirar, etc..

A sucção nutritiva é fundamental para a sobrevivência do recém-nascido, pois, é graças a ela, que a criança se alimenta. Para além de a alimentar a criança, a sucção constitui também uma fonte de prazer. Como este prazer gera estabilidade e relaxamento, a sucção não nutritiva (chupeta) é utilizada na tentativa de acalmar o bebé, de o deixar mais tranquilo. Porém, na maioria das vezes, “a ansiedade, o nervosismo e a intranqüilidade é da mãe, que está com dificuldade de lidar com o choro do bebê, e por isso utiliza-se de tudo que estiver ao seu alcance (em geral a chupetinha) para que seu filho pare de chorar.”[1]

Será que o bebé precisa mesmo da chupeta? Se tem de a deixar, porquê começar a usá-la? Para o Dr. Ruy do Amaral Pupo Filho[2], pediatra – neonatologista, os bebés não necessitam de chupetas, salvo excepções. Sendo as excepções os seguintes casos:

® Quando os bebés têm necessidade de sucção exagerada – nesta situação a chupeta tenta suprir a necessidade de sucção da criança sem que ela mame excessivamente;

® Em situações mais raras, o bebé pode ter flacidez na musculatura da boca ou da língua – a chupeta obriga a criança a exercitar estes músculos fortalecendo-os, como se fosse uma fisioterapia;

® Bebés pré-termo (com menos de 37 semanas), hipotónicos e/ou que apresentem dificuldade para sugar seio materno, podem beneficiar-se do uso da chupeta, desde que esta seja adequada para treino de motricidade oral.

Nem todos os autores têm uma posição tão radical como o Dr. Ruy do Amaral Pupo Filho. Pode-se usar a chupeta, mas a sua utilização não deve ser excessiva. Eis algumas medidas que podem/devem ser tomadas relativamente ao uso da chupeta:

® Desde o nascimento, a criança não deve ser acostumada a ficar o tempo todo com a chupeta na boca. Ela deve ser dada apenas em momentos de tensão;

® Não pendurar a chupeta na roupa da criança, evitando, deste modo, que fique sempre à sua disposição;

® Quando o bebé adormecer, remover a chupeta.

Para Rosely Sayão[3], deixar a chupeta não é um momento qualquer na vida da criança, representa para ela uma grande perda. Por isso, segundo a mesma autora, é melhor que aconteça de maneira gradativa, sem pressa.

«Alguns pais que fazem essa troca de um dia para outro, falam que se a criança deixar a chupeta ganha isso ou aquilo. Não é errado. Mas, do modo de ver a criança, prefiro a troca devagar. Assim ela vai se ‘despedindo’ daquilo que ela vai perder. E esta é uma perda grande.”[4] Assim, as oportunidades para iniciar essa processo de “separação” aparecem quando a criança vai para a escolinha, para casa de parentes, sai para passear… “Diga para ela: ‘deixe a chupeta só para usar em casa’. Depois, ’só na hora de dormir’. E vai suprimindo… Até que um dia você chega e fala: ‘Olha, você já está grandinha, isso é coisa de bebezinho…’»[5]

Por vezes, o bebé também chucha no dedo, suprindo, assim, uma necessidade de sucção que já pode vir desde a vida intra-uterina. Ao contrário da chupeta, nada pode ser feito para impedir que a criança chuche no dedo. Amarrar as mãos do bebé e/ou passar os dedos por substâncias pouco agradáveis são estratégias inúteis e pouco recomendadas. À medida que a criança vai crescendo, pode-se proporcionar-lhe outras distracções, actividades e estímulos, que substituam o acto de sugar como fonte de prazer e segurança.

Mesmo o uso do biberão deve ser evitado, assim que possível, deve-se tentar dar o leite e água por um copo com recurso a uma colher, se necessário.

Mesmo com o uso de chupetas apropriadas, os especialistas advertem: após os 2 anos de idade, o uso contínuo de chupetas e biberão é nocivo para a formação dos dentes e da musculatura da boca da criança, criando problemas estéticos, na fala e na respiração. Se ela for imatura demais e ainda precisar da chupeta, pode-se deixar até 2 anos e meio, no máximo 3.

Assim, o uso constante e prolongado da chupeta, biberão ou do hábito de chupar dedo podem causar:

- Alterações no posicionamento dos dentes;
- Desvio do crescimento dos ossos da maxila e mandíbula;
- Alterações na deglutição (ato de engolir);
- Alterações na fonação (fala ), etc, etc….

 

Uma história para abordar esta temática é: A chupeta da Nina.
Na história “Nina é uma menina que sabe o que quer. E o que ela quer é a chupeta. Hoje, amanhã e sempre. Até ao dia em que ela encontra alguém que precisa mesmo muito da sua chupeta…”.
NAUMANN-VILLEMIN, C. (2005). A chupeta de Nina (Tradução de M. T. Silva, 2ª edição). Porto: Ambar


[1] CARDOSO, T. (S.D.). Chupeta: usar ou não usar? Eis a questão! Acedido a 28-01-06, em http://guiadobebe.uol.com.br/bb5a6/chupeta_usar_ou_nao_usar_eis_a_questao.htm

[2] FILHO, R. (S.D.). Questões práticas sobre a chupeta. Acedido a 28-01-06, em http://guiadobebe.uol.com.br/bb5a6/questoes_praticas_sobre_a_chupeta.htm

[3] ROSELY. (2005). Melhor maneira de deixar a chupeta é gradativamente. Acedido a 28-01-06, em http://noticias.uol.com.br/uolnews/familia/2005/08/30/ult2866u60.jhtm




Adaptação/Separação dos pais

 

Eis um tema pertinente para o inicio do ano. O texto que se segue foi elaborado por mim quando senti necessidade de estar melhor preparada para agir perante a adaptação das crianças à creche/JI.

A primeira separação de casa nunca é fácil, seja em que idade for. É preciso que tanto os pais como as crianças se preparem. A dor da separação acaba por ser mais facilmente superada pelas crianças – que encontram no Jardim-de-infância amigos, jogos e actividades atractivas que compensam a dor da separação – do que pelos pais. Passo a enumerar alguns modos de facilitar a transição:

® Os pais devem preparar-se a eles próprios para depois preparar o filho;

® Falar com a criança sobre a frequência do Jardim-de-infância (jamais omitir) e sobre o que encontrará nele – amigos, brinquedos, jogos, brincadeiras e actividades atractivas;

® Levar a criança a fazer uma visita à Instituição antes de a frequentar;

® Dar oportunidade à criança para que conheça outra(s) criança(s);

® Se necessário e possível, convidar a(s) criança(s) que conheceu para um passeio;

® No primeiro dia no Jardim-de-infância procurar deixar a criança junto daquela(s) que conheceu;

® Deixar a criança levar algum objecto/brinquedo especial que a conforte/distraia;

® Apresentar a criança antecipadamente à educadora e mostrar que tem confiança nela;

® Ficar um bocadinho na sala até que ela se adapte;

® Mostrar a Instituição à criança, o local onde pendura a sua roupa e guarda os seus pertences – o seu espaço;

® Nunca sair às escondidas da criança, nem dizer que volta já quando isso não é verdade;

® Despedir-se da criança;

® Não prolongar a despedida;

® Dizer que volta às “x” horas e que a ama;

® Na hora de ir buscar a criança, abraçá-la, dizer que sentiu saudades dela e que agora podem ir juntos para casa;

® Felicitar a criança pelo seu comportamento durante o dia.

Por vezes, depois da adaptação inicial as crianças voltam a reclamar na hora de ficar no Jardim-de-infância e a agarram-se aos pais. Se isto acontecer, podem-se repetir todos os passos novamente.

Quando os pais deixam a criança no Jardim-de-infância esta confronta-se, muitas vezes, com o medo – o medo do abandono. Podemos ajudar a criança a dominar os seus medos:

® Ouvindo-a atentamente e respeitando tudo o que ela diz acerca dos seus receios;

® Ajudando-a a compreender que o medo é um sentimento normal, comum a todas as pessoas em todas as idades;

® Tranquilizando-a, dizendo que os medos podem ser controlados/enfrentados (ex.: se a criança tem medo que os monstros estejam debaixo da cama, incentive-a a espreitar debaixo da mesma na sua presença).

 

 

Fontes de informação:

Ø BRAZELTON, T. (2003). O grande livro da criança: desenvolvimento emocional e do comportamento durante os primeiros anos. (Tradução de M. Peixoto - 6ª edição). Lisboa: Editorial Presença.

Ø BRAZELTON, T., & SPARROW, J. (2003). A criança dos 3 aos 6 anos: o desenvolvimento emocional e do comportamento (Tradução de S. Santos). Lisboa: Editorial Presença.